“Está oficialmente aberto o 54º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC/ML)”, disse a Dra. Marinês Dalla Valle Martino, no início da noite da última terça-feira (4/10), em Florianópolis. O evento será realizado até o dia 7/10, e tem o macrotema “A Patologia Clínica/Medicina Laboratorial como protagonista no apoio à decisão no diagnóstico”.

 

Fizeram parte da mesa de abertura A Dra. Marinês; o Dr. Fábio Brazão, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML); o Secretário Municipal de Saúde, Dr. Carlos Alberto Justo da Silva; a coordenadora executiva do 54º CBPC/ML, Dra. Cássia Zoccoli; o coordenador da comissão cientifica do evento, o Dr. Leonardo Vasconcellos; o membro da comissão de julgamento dos temas livres, Dr. Adagmar Andriolo; o presidente do conselho dos ex-presidentes da SBPC/ML, Dr. Carlos Eduardo dos Santos Ferreira; o representante da World Association of Societies of Pathology and Laboratóry Médicine (WASPaLM), Dr. Nairo Sumita; a presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, Dra. Maria Elizabeth Menezes; o presidente da Confederação Nacional de Saúde, Dr. Breno Monteiro e o representante do presidente do conselho regional de Medicina, Dr. Anastácio Kotzias Neto.

Após a execução do hino nacional, entoado pelo violinista Fernando Bresolin, o Dr. Brazão agradeceu ao Dr. Adagmar Andriolo, que abriu as portas para ele na Faculdade Paulista de Medicina, e a sua mãe, Dr. Ruth Brazão, cujo laboratório que o médico atua leva seu nome.  

O médico salientou que, em 2019, a SBPC/ML realizou a última edição presencial do CBPC/ML antes da pandemia e, nesse momento, gostaria de prestar suas condolências às famílias dos colegas que faleceram em tal período.

Ele mencionou que, no na pandemia a entidade precisou fazer tudo diferente, mas cumpriu seu papel de salvar vidas e aproveitou para parabenizara todos os profissionais da saúde que estavam presentes por isso.

“Este ano, a SBPC/ML completa 78 anos com gás total. Voltamos a fazer o congresso de forma híbrida, fizemos dois Encontros de Sociedades Médicas presencialmente, além de estarmos presentes em diversos eventos e participando de importantes decisões junto a órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na decisão da RDC 302”, explicou. 

O Dr. Brazão, agradeceu aos colegas da diretoria da entidade, os coordenadores dos comitês científicos, o conselho fiscal, os colaboradores da sociedade e do laboratório em que atua, a sua família, os organizadores do evento e aos mais de quatro mil inscritos para participar dele. 

Por fim, ele apresentou os novos patologistas clínicos: Érico Bandeira Veríssimo, João Nóbrega de Almeida Jr., Leandro da Silva Fernandes e Luiz Gustavo Ferreira Côrtes.

Em sua fala, o Dr. Carlos Eduardo prestou homenagem aos novos membros eméritos (associados titulares que contribuíram para a SBPC/ML por 15 anos consecutivos), sendo eles: os Drs. João Batista Luna Filho, Tereza de Jesus Pinheiro Gomes Bandeira

José Hilario Ribeiro Grilo, Laszlo Fock, Lucia Helena Cavalheiro Villela, Paulo Roberto Gazen Saad, Raimundo Tadeu Pires Sobreira e José de Moura Campos Neto.

A Dra. Marinês cumprimentou aos diretores da SBPC/ML, coordenadores dos comitês científicos, seu marido e sua filha e disse: “estamos de volta! Após a pandemia, retornamos com este que é o maior evento de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial da América Latina. Essa é uma sociedade que verdadeiramente me representa. Também gostaria de lembrar a perda dos nossos queridos amigos nesse tempo que ficamos online”.

A finalização do evento se deu com a apresentação da banda Mersey Beat, com o show Beatles sinfônico, com tributo a banda britânica. 

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBCP/ML) apresentou, na última terça-feira (4/10/2022), o novo site da entidade durante o 54º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC/ML). O novo projeto está mais cleam, organizado e os usuários poderão contar com uma melhor experiencia ao acessar as páginas.

Hoje (5/10/2022), a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBCP/ML) lançou a publicação impressa da Norma PALC 2021.

Conforme definido pelo Dr. Guilherme Ferreira, diretor de Acreditação da SBPC/ML (biênio 2022/2023), a Norma PALC 2021 está harmonizada com as melhores práticas internacionais em medicina laboratorial, incluindo: Diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), Norma ISO 15189: 2015 e ISQua Standard (5th Ed. Version 1.0., 2018), assim como encontra-se atualizada frente a legislações e regulamentos nacionais. 

Houve, também, a criação de 19 novos subitens distribuídos nos itens de Organização Geral e Gestão (1.11), Gestão do Sistema da Qualidade (2.10), Gestão de Exames Prioritários (10.1 a 10.13), Gestão do Sistema de Informações Laboratorial (16.2) e Gestão dos Riscos e da Segurança do Paciente (17.14, 17.15).

A norma atualizada agrega valor aos laboratórios acreditados, provocando o aprimoramento continuado do Sistema de Gestão destas organizações, visando maior competitividade, sustentabilidade, regularidade frente à legislação e regulamentos e ganhos efetivos para a segurança dos pacientes.

Assista ao vídeo a seguir e veja a importância de um laboratório ter a acreditação PALC: http://www.sbpc.org.br/programas-da-qualidade/video-do-programa-de-acreditacao-de-laboratorios-clinicos-palc-2/

A mesa redonda "Biomarcadores da função renal: do velho ao novo", do 54º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC/ML), discutiu alguns marcadores e procedimentos classicamente utilizados para a avaliação das funções renais e apresentou dois novos marcadores, ainda pouco difundidos em nosso meio. 

Os Drs. Adagmar Andriolo, editor Chefe do Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial (JBPML) e membro da Academia de Medicina do Estado de São Paulo (AMESP); Kaline Nogueira de Lucena, médica Patologista Clínica pela FMUSP e presidente Regional da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial SBPC/ML) do Rio Grande do Norte; Flavio Ferraz, diretor médico e sócio-diretor do Instituto de Análises Clínicas de Santos (IACS) e Bento Fortunato, coordenador Médico do Centro de Dialise Einstein e Nefrologista do Hospital Israelita Albert Einstein, enfatizaram a importância em se detectar, precocemente, e de forma muito precisa, qualquer grau de lesão renal.

As doenças renais incluem uma série de condições clínicas agudas e crônicas, sendo que a medicina laboratorial oferece recursos relevantes para diagnóstico precoce, definição de risco, estadiamento, estabelecimento de prognóstico e monitorização. Os parâmetros de maior significância são a medida ou estimativa da taxa de filtração glomerular e a avaliação da perda proteica na urina pela medida de albumina ou de proteínas totais.

Foi discutido, inicialmente, o papel da ureia, o primeiro marcador de função renal. Ela é o maior produto final do catabolismo das proteínas nos seres humanos, sendo a forma de eliminação de, aproximadamente, 75% de todo o nitrogênio produzido pelo organismo. Dadas as características de produção e forma de eliminação do organismo, apesar de historicamente ser utilizada, a ureia não é um bom marcador de doença renal, sendo amplamente superada pela medida da concentração de creatinina.

A Cistatina C é uma proteína de baixo peso molecular e, diferentemente da creatinina, mais comumente utilizada, tem a concentração no soro menos dependente da idade, sexo, etnia, dieta e massa muscular, sendo mais sensível para a avaliação da função de filtração glomerular. No caso da N-GAL, (Lipocalina Associada à Gelatinase Neutrófila), proteína ligada à gelatinase que possui elevada sensibilidade e se altera de dois a quatro dias antes da creatinina.

Os palestrantes concluíram que os exames laboratoriais disponíveis hoje são suficientemente adequados para monitoramento do paciente com algum grau de doença renal já instalada, identificando, com alguma fidelidade, variações da atividade de lesão, mas possuem baixa sensibilidade para o diagnóstico precoce da doença renal incipiente.

“Atenção à Saúde Baseada em Valor: mas de qual valor estamos falando?”, este foi o tema da primeira Palestra Magna do 54º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC/ML), ontem, dia 4 de outubro. 

Os Drs. Alvaro Pulchinelli, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e a Dra. Márcia Makdisse, médica, Mestre em Cardiologia, PhD em Medicina, MBA em Gestão da Saúde, Certificação Green Belt em VBHC e Mestre em Transformação de Sistema de Saúde (Master of Science in Health Care Transformation) pelo Value Institute for Health and Care da Universidade do Texas em Austin, USA, explicaram, em resumo, sobre como o uso racional e adequado podem impactar lá na ponta, na saúde do paciente e no melhor desempenho do sistema de saúde. 

O “Value Health Based”, ou seja, a saúde baseada em valor, é um conceito que abrange a todos os participantes da cadeia da saúde e eles podem influenciar tanto no resultado clínico, quanto na sustentabilidade do sistema. 

Esse é um conceito que, embora não seja tão novo, vem entrando com bastante importância aqui no País e a principal interface é como o resultado do diagnóstico laboratorial pode impactar não só na saúde do paciente, quer dizer, no melhor desfecho clínico e melhor resultado do tratamento, mas no uso mais racional dos recursos financeiros e do sistema como um todo: diagnóstico, internação, medicamentoso e do sistema de saúde. 

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a ocorrência de eventos adversos devido a cuidados inseguros é provavelmente uma das 10 principais causas de morte e incapacidade no mundo. Globalmente, até 4 em cada 10 pacientes são prejudicados nos cuidados de saúde primários e ambulatoriais. Até 80% dos danos são evitáveis. Os erros mais prejudiciais estão relacionados ao diagnóstico, prescrição e uso de medicamentos. Sendo que 38,3% das reclamações dos pacientes estão relacionadas ao atraso no diagnóstico.

Estudos comprovam que o tratamento de pacientes com câncer diagnosticado precocemente é de 2 a 4 vezes mais barato que comparado ao tratamento dado às pessoas que tiveram o diagnóstico em uma fase avançada.

Os laboratórios clínicos desempenham um papel importante na tomada de decisões médicas e os avanços trazem melhorias assim como complexidades. Diagnóstico preciso é condição fundamental para tratar pacientes. Segundo estudos, cerca de 70% das decisões médicas se baseiam em resultados de exames laboratoriais, o que demonstra sua importância na cadeia assistencial. Para a SBPC/ML, os testes laboratoriais produzem informações importantes para prognóstico, diagnóstico, prevenção e estabelecimento de riscos referentes a diversas patologias e na definição de terapias personalizadas, e são minimamente invasivos para os pacientes.

“Mas para o exame ser efetivo, é preciso que o pedido do exame seja correto, pois o mau gerenciamento na utilização de procedimentos laboratoriais gera o risco de subdiagnóstico e de subtratamento, elevando o custo assistencial”, comenta Alvaro Pulchinelli Jr., vice-presidente da SBPC/ML. 

Apesar da sua importância, uma meta-análise realizada ao longo de 15 anos revelou maior prevalência de subutilização (44,8%) do que a superutilização (20%) de exames laboratoriais. 

Ainda que ocorra uma superutiziação em uma camada da população, é importante frisar que os gastos com exames laboratoriais representam apenas de 1,4% (Alemanha) e 2,3% (Estados Unidos) dos gastos totais do sistema de saúde. 

Mais que se preocupar com o volume, portanto, deve-se avaliar o valor e os benefícios trazidos pelos exames laboratoriais. Além dos valores financeiros, os benefícios do diagnóstico precoce também se traduz para o paciente, com tratamentos menos invasivos e que oferecem melhor qualidade de vida.