A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) anuncia os títulos dos Temas Livres premiados durante o seu 2º Congresso Virtual. A premiação de cada trabalho foi de R$1.000,00 e os autores e coautores ganharão a inscrição para o 54º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, que será realizado de 3 a 7 de outubro de 2022, no Centro de Convenções Centro Sul, em Florianópolis (SC). 

“Por mais um ano, recebemos trabalhos de altíssima qualidade. Aproveito a oportunidade para elogiar e agradecer a todos os que participaram e que, ainda que não tenham sido contemplados nesta edição, poderão apresentar novos títulos no próximo congresso. Sem sombra de dúvidas, os trabalhos serão muito enriquecedores para a toda a Patologia Clínica e Medicina Laboratorial”, explicou a Dra. Silvana Maria Eloi Santos, coordenadora dos Temas Livres do evento.

Confira abaixo a lista dos trabalhos vencedores e os respectivos prêmios recebidos:

Título: Impacto na vigilância epidemiológica com a implementação do teste de o.k.n. nas áreas assistenciais de um complexo hospitalar.

Autora: Aline Fossá.

Coautores: Everton Inamine, Cristiani Gomes de Marques, Cláudia Figueiredo de Meirelles Leite, Camila Mörschbächer Wilhelm, Jéssica Nesello dos Santos, Juliana de Alexandria Machado, Ionara Ines Kohler.

Instituição: Santa Casa de Misericórdia, Porto Alegre.

Prêmio: Prêmio Dr. Caio Marcio Figueiredo Mendes.

 

Título: Análise de mediadores imunes circulantes em pacientes com insuficiência renal aguda (IRA) secundária à COVID-19.

Autora: Thalia Medeiros Tito Avelar.

Coautores: Gabriel Macedo Costa Guimarães, Fabiana Rabe Carvalho, Renan da Silva Faustino, Ana Carolina Campi Azevedo, Vanessa Peruhype Magalhaes Pascoal, Jorge Reis Almeida, Andrea Alice da Silva.

Instituição: Universidade Federal Fluminense .

Prêmio: Prêmio Dr. Paulo Guilherme Cardoso Campana.

 

Título: Uso de formulário virtual para melhoria de gestão da qualidade de glicosímetros.

Autora: Raquel Weber.

Coautores: Juliana de Paoli, Marilei Wolfart, Daniel Writzl Zini, Ricardo Machado Xavier.

Instituição: Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Prêmio: Prêmio Dr. João Nilson Zunino.

 

Título: LDL oxidada circulante prediz risco de eventos cardiovasculares adversos maiores em homens com diabetes mellitus tipo 2.

Autora: Viviane Sant Anna.

Coautores: Esteferson Fernandes Rodrigues, Henrique Andrade Rodrigues da Fonseca, Magnus Gidlund, Maria Cristina de Oliveira Izar.

Instituição: Universidade Federal de São Paulo.

Prêmio: Prêmio Dr. Evaldo Melo.

 

Título: Estimativa de custos dos exames coloração de Gram e hemocultura no serviço de microbiologia de um hospital público federal.

Autora: Isadora Bevilaqua Fernandes.

Coautores: Thaís Guimarães de Faria, Luiz Henrique Furbino de Britto, Leonardo de Souza Vasconcellos, Juliana Alvares.

Instituição: Serviço de Medicina Laboratorial do Hospital das Clínicas da Universidade de Minas Gerais (HC/UFMG).

Prêmio: Prêmio Dr. Luiz Gastão M. Rosenfeld.

 

Título: Estudo de sensibilidade e especificidade de metodologias para pesquisa de anticorpos IgG anti-RBD do SARS-CoV-2.

Autora: Claudia Maria Meira Dias.

Coautores: José Fernando de Souza, Annelise Correa Wengerkievicz Lopes, Vanessa Vidotto Frade, Gabriela Laginestra Francisco, Daniane Grando Remor Canali, Deise Waltrick, Renata Gonçalves.

Instituição: Dasa

Prêmio: Prêmio Dr. José Carlos Basques.

O 2º Congresso Virtual da SBPC/ML promoveu, ontem (8/9), a palestra “Sequenciamento genético de nova geração”, apresentada pelo Dr. José Eduardo Levi. O médico iniciou comentando que os sequenciadores automatizados começaram a ser utilizados a partir dos anos 2.000. 

De acordo com o médico, o custo do sequenciamento vem caindo exponencialmente em comparação com o custo dos computados. Um sequenciador hoje é capaz de ler 10 bilhões de bases em uma corrida. 

“Uma corrida sequenciaria um genoma humano em 48h. Antes, levava-se anos. É uma evolução gigantesca que permitiu a incorporação do Sequenciamento de Nova Geração (NGS) na rotina”, explicou o médico.

O cell-free DNA, em quantidade pequena, é identificado apenas por técnicas moleculares específicas. Usando a tecnologia de sequenciamento para o pré-natal não invasivo, conforme estudo apresentado pelo especialista, é possível analisar os genes do feto no plasma da mãe. Para isso, é preciso ter pelo menos 10% de DNA do feto. Na detecção de patógenos o desafio é maior, pois é necessário trabalhar com sensibilidades elevadas.

O NIPT se baseia na descoberta de que no plasma da gestante é possível encontrar o DNA do feto – cerca de 11% do DNA apresentado é proveniente do feto, podendo ser aplicável ao diagnóstico intra-útero de Síndrome de Down, por exemplo.

Considerando-se a utilização dessas tecnologias no transplante de órgãos, o órgão transplantado libera DNA para a corrente sanguínea do receptor, podendo ser identificado pelo plasma. A danificação do órgão transplantado é demonstrada pela elevação do cell-free DNA.

Na noite de ontem (8/9), o Dr. Ismael Dale Cotrim Guerreiro da Silva deu uma aula aos participantes do 2º Congresso Virtual da SBPC/ML sobre “Proteômica e Metabolômica”. O especialista explicou que quando estudamos genômica, analisamos o que pode acontecer, ou o que queremos predizer sobre uma doença.

A proteômica relaciona-se com algo que faz acontecer, ou seja, são as proteínas fazendo acontecer. A metabolômica é a mensuração do que de fato aconteceu, ou seja, estamos mensurando o fenótipo. Hoje se faz a fenotipagem bioquímica das pessoas. 

Ele mencionou sobre a existência, hoje, de bases da literatura no quesito mensuração. Isso quer dizer, por exemplo, que quando é medida a alanina já existe uma equivalência na literatura quanto aos valores aceitáveis. É como se fosse dosar a hemoglobina: essa mensuração usa plasma, soro, tecido cultivo celular, mas no dia a dia o mais usado é o plasma ou soro.  

Coloca-se as amostras na máquina, pulsiona uma energia forte a laser, ioniza as moléculas presentes nas gotas de plasma de modo que sai de um polo a outro, voando ao polo detector. 

“Isso leva um tempo e cada molécula analisada tem um período de voo, de acordo com os fragmentos gerados, e uma intensidade de batida no detector. Assim, nesse tempo, os fragmentos das moléculas analisadas poderão ser mensurados”, explicou o médico. 

Sobre a espectrometria de massa, o Dr. Ismael disse que é uma balança que mede com precisão o “peso” dos íons de determinada substância. Essa abordagem é usada no mundo todo e acerca da fenotipagem bioquímica, ele exemplifica com o teste do pezinho, realizado milhões de vezes atualmente.

Durante a Mesa Redonda “Evolução dos testes laboratoriais para COVID-19”, realizada no 2º Congresso Virtual da SBPC/ML, o Dr. Julio Croda iniciou dando um panorama geral do curso da vacinação no Brasil. Ele mencionou que antes se imaginava que para se chegar à imunidade de rebanho seria necessário que 70% da população estivesse vacinada. Hoje, percebe-se que se faz necessário que pelo menos 90% esteja.

Neste momento, observa-se predomínio da variante Delta na União Europeia e no Reino Unido, porém as taxas de óbitos não estão altas e ele atribui este fato à vacinação. Ele ressaltou, também, que ao longo da pandemia o Brasil foi um País muito afetado. No entanto, neste momento tem cerca de 65% da população vacinada com pelo menos uma dose, o que o equipara ao México e o coloca em melhor condição no panorama mundial. 

“Desde o início da emissão do boletim da Fiocruz, esse é o melhor cenário do País. Um estado apenas tem mais de 80% de taxa de ocupação de leitos. Somente dois estão em amarelo e os demais em verde. Isso se deu porque as vacinas funcionam e reduziram muito os óbitos”, explicou o médico. 

Ele finalizou a apresentação falando sobre a circulação da variante Delta em especial no Rio de Janeiro, apontando que o estado mostrará como será o comportamento dessa variante nos próximos dias e meses.

A Dra. Annelise Correa Wengerkievicz Lopes falou sobre a “Pesquisa de antígenos: desempenho e aplicabilidade”. São testes baseados na detecção de proteínas virais especificas e se aplicam a diagnóstico de infecção atual, em coleta nasal ou de nasofaringe.  

Os testes de antígeno às vezes são vistos com certo nível de reserva por conta de desvantagens, como a sensibilidade inferior ao RT-PCR. Outro ponto é a necessidade de uma amostra dedicada, em geral não podendo ser reutilizada para pesquisa de outros vírus ou sequenciamento viral.

“A vantagem é que tem baixo custo, resultado rápido e elevada especificidade, portanto um resultado positivo só deve ser confirmado se realmente não combina com o quadro clínico do paciente”, explicou Annelise. 

O Dr. João Renato Rebello Pinho palestrou sobre o “Testes moleculares e as novas variantes”, comentando sobre as Variantes de Interesse (VOI) e as Variantes de Preocupação (VOC). 

Ele explicou que “as variantes de preocupação reconhecidas atualmente são a Alfa, Beta, Gama e Delta, e o sequenciamento completo para o SARS-CoV-2 tradicionais é o método mais seguro para identificação”.  

O Dr. Celso Granato fez importantes apontamentos sobre os “Testes de resposta vacinal”, bem como a duração dos anticorpos neutralizantes após a infecção por COVID-19 que com base em estudos, é de pelo menos sete meses.  

O médico disse que um artigo da revista Nature mostrou que “para a pessoa vacinada e não doente, mesmo que seja realizado o teste de neutralização em cultura de célula, o nível é altamente preditivo de proteção imune. Isso será importante para avaliar, por exemplo, a comparação da eficácia da vacina Butanvac, tendo por base a produção de anticorpos neutralizantes”. 

Por fim, a Dra. Eliane Aparecida Rosseto Welter falou sobre os “Testes sorológicos e estratégias de testagem”, momento em que salientou que essas estratégias são basicamente as de pesquisa e epidemiologia na busca do correlato protetor imunológico, com o papel de marcador de proteção. 

“Entre os tipos de testes de anticorpos estão os de ligação, que se unem à proteína purificada e os de anticorpos neutralizantes, que avaliam a capacidade funcional. Entre os neutralizantes, existem diferentes tecnologias, como pseudovírus e os de neutralização competitiva, que são um substituto aprovado pelo FDA. Ele faz uma avaliação correspondente”, explicou a médica.

Ainda segundo a médica, hoje o desafio são as variantes de preocupação. Por fim, salientou que para a estratégia de testagem não existem diretrizes até o momento que recomendem após vacinação.

Na última quinta-feira (9/9), o Dr. Guilherme Birchal Collares mediou a mesa redonda “Novos desafios em inovação, pesquisa e desenvolvimento pós-pandemia”, durante o 2º Congresso Virtual da SBPC/ML.

O primeiro a falar foi o Dr. Alessandro Ferreira, que palestrou sobre as “Inovações em Laboratório de Apoio”, falando sobre a importância de se fazer o transporte adequado das amostras coletadas dos pacientes. De acordo com o médico, os desafios em saúde passam pela questão financeira, ou seja, se o paciente pode comprar o serviço em saúde e arcar com as despesas, e se a aplicabilidade de determinada tecnologia na saúde aposentará a tecnologia antiga. 

O médico salientou que o Brasil é vasto, com infraestrutura desigual entre estados e explicou, também, sobre a importância de o profissional de saúde ter uma boa formação e a capacidade de interpretar os procedimentos adequadamente.

“A coleta do paciente envolve educação e treinamento pelo profissional de saúde, pois são muitos itens que precisam ser levados em consideração, como o armazenamento das amostras, o tempo de estocagem para que não haja perda ou comprometimento na geração do resultado para interpretação médica”, finalizou Alessandro. 

O médico patologista clínico Dr. Cristóvão Luis P. Mangueira falou sobre “Inovações em laboratório hospitalar” e começou sua palestra falando sobre os diferenciais entre os laboratórios de hospital para os de rua. Ele salienta que esses Núcleos Técnico-hospitalares (NTC) obrigatoriamente precisam ter respostas rápidas para suportar a prática clínica dentro do hospital, por estarem diante de casos graves de doenças. Mas geralmente têm um portifólio de exames mais restrito, onde executam apenas exames importantes para os pacientes internados ou que estejam no pronto atendimento.  

“O laboratório também precisa preocupar-se em realizar o exame certo, na hora certa e no lugar certo, porque isso terá repercussão no modelo dos exames e precisa conversar muito bem com o corpo clínico do hospital”, destacou o médico.

De acordo com o especialista, não se pode esquecer que o hospital é propício para que se consolidem dados clínicos do paciente. Podem ser feitos quaisquer exames durante a internação e, por isso, o dado laboratorial pode ser mais rico, visto que é mais correlacionado com os dados clínicos do paciente.

“É importante que os hospitais tenham controle desse patrimônio de dados e a correta monetização desses dados para manter o sistema funcionando”, explicou Cristóvão.

Durante a mesa redonda, o biólogo Gustavo Stuani abordou sobre a “Inovação e resiliência pós-covid-19”. Gustavo destacou os ambientes de ruptura em virtude da pandemia, salientando que a primeira ruptura está relacionada à demanda, ou seja, os hospitais ficaram cheios, sem testes e as pessoas precisaram permanecer em isolamento. 

A segunda foi em relação a cadeia de suprimento. Apesar de os estoques de testes estarem cheios no início, não havia os específicos para covid-19 para processar. Além disso, existia a escassez de EPIs o que deixava o ambiente complexo.

A terceira ruptura está ligada ao ponto de vista psicológico. A ciência não tinha alcançado sobre as consequências da covid-19, assim os colaboradores de empresas enfrentavam o medo da perda de emprego e da morte. 

“Vimos grandes auditorias criando mapas de reestruturação, resiliência, também observamos a aceleração dos processos digitais, que era fundamental para a recuperação das operações. O caminho parece simples, mas ser digital não é fácil”, explicou o biólogo.

 

Embora tudo tenha sido muito rápido, há dificuldades em tomadas de decisões com base em tecnologias digitais e é muito difícil criar cenários futuros. Além disso, ser digital custa caro e existe o desafio em se mover das plataformas piloto para as escaláveis.

 

Por fim, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Dr. Gustavo Campana, palestrou acerca do tema “Investindo em Startups”. A inteligência artificial (AI) está cada vez mais auxiliando os médicos em diagnósticos e condutas terapêuticas. A internet das coisas e a captação de dados ou por mobile health vão ser estruturantes para usar ainda mais a IA, a fim de oferecer mais saúde para os pacientes. A telemedicina, por exemplo, é uma realidade e está deixando de ser uma tendência.  

Entre os tipos de inovação em saúde estão as tecnologias assistenciais, as novas drogas, os testes de diagnóstico de covid-19, o que foi extremamente importante, as devices medicals focadas em captação técnicas cirúrgicas e os softwares. 

“Quando falamos em startups trazemos o conceito de inovação aberta. A fechada se limita à corporação, ou seja, as ideias são internas e coloco os produtos e serviços provenientes delas no mercado. Já a aberta extrapola os limites da empresa, isso quer dizer que eu trago ideias externas e levo as internas em colaboração com startups e academias”, destacou Gustavo. 

De acordo com o vice-presidente da SBPC/ML, “o investimento em startups brasileiras amadureceu e cresceu muito nos últimos anos – quase 5.2 bilhões entre 2020 e 2021”. 

As 747 health techs existentes no País estão segmentadas em diversas áreas, entre elas a de telemedicina, farmacêutica, diagnostica, e cada vez a biotecnologia tem sido fundamental na inovação do setor de medicina laboratorial. 

O Dr. Gustavo concluiu sua apresentação mostrando que as startups com maior presença na área da saúde são as voltadas a Market Place, negócios de saúde, gestão e prontuário eletrônico, adesão terapêutica, conteúdo, IA e Big Data, farmacêutica e diagnostico.